Temperatura de molde por polímero: tabela de referência

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A temperatura do molde é a variável que mais define a peça e a que mais frequentemente é ajustada a olho. Dela dependem o acabamento superficial, a cristalinidade, a contração, as tensões internas e o tempo de ciclo. E, no entanto, em muitas plantas o critério continua sendo «o número que o turno anterior deixou».

Esta tabela reúne as faixas de temperatura de molde habituais por família de polímero. Mas a temperatura correta não serve de nada se o equipamento não consegue sustentá-la: por isso, a segunda metade do artigo é a que realmente importa, e é a que quase nunca se publica.

Tabela de temperaturas de molde por polímero

Faixas indicativas. O grade específico e a carga de fibra sempre prevalecem sobre esta tabela: consulte a ficha do fornecedor do material.

Polímero Temp. molde Fluido O que acontece se ficar abaixo do necessário
Amorfos
PS 20–60 °C Água Peças foscas, tensões internas
ABS 40–80 °C Água Brilho irregular, linhas de solda marcadas
SAN 50–80 °C Água Fragilidade, mau acabamento
PMMA 40–90 °C Água Perda de transparência, tensões
PVC rígido 20–60 °C Água Enchimento incompleto; cuidado com a degradação por excesso
PC 80–120 °C Água pressurizada Tensões internas severas, peças que trincam
PPO / PPE mod. 80–110 °C Água pressurizada Preenchimento incompleto, acabamento ruim
Semicristalinos
PE-HD 20–60 °C Água Contração descontrolada, empenamento
PP 20–60 °C Água Empenamento, contração irregular, acabamento fosco
PA6 60–90 °C Água / pressurizada Cristalinidade baixa: peça menos rígida e instável
PA66 70–110 °C Água pressurizada Cristalinidade baixa, contração posterior em serviço
POM 80–120 °C Água pressurizada Contração posterior, dimensões que variam com o tempo
PBT 40–80 °C Água / pressurizada Cristalinidade insuficiente, acabamento ruim
PET (cristalino) 120–140 °C Água pressurizada Não cristaliza: peça transparente e mole
PPS 130–160 °C Pressurizada / óleo Cristalinidade baixa, desempenho térmico insuficiente
LCP 90–150 °C Pressurizada / óleo Orientação e soldas deficientes
PEEK 170–200 °C Óleo Peça amorfa: você perde quase tudo o que pagou pelo material

Regra prática: os grades reforçados com fibra costumam exigir o extremo alto da faixa, e às vezes acima dele. Em semicristalinos, a temperatura do molde não é um ajuste de acabamento: é o que define a cristalinidade e, com ela, a rigidez, a estabilidade dimensional e o comportamento da peça a longo prazo.

Não a confunda com a temperatura do plástico

Vale a pena parar aqui, porque é a confusão mais cara do setor: em uma injetora convivem várias temperaturas e apenas uma é a que o termorregulador controla.

  • Massa fundida (200–300 °C conforme o polímero): o plástico saindo da rosca. Quem a define é a injetora. O termorregulador não a controla.
  • Superfície do molde (a tabela acima): o aço contra o qual a peça se solidifica. Esta sim.
  • Fluido do equipamento: um meio para alcançar a anterior, nunca um objetivo.

Se o seu ABS funde a 240 °C, você não precisa de um termorregulador de 240 °C: precisa de um que mantenha o molde entre 40 e 80 °C. A diferença entre entender isso e não entender são dois equipamentos radicalmente diferentes e um orçamento que não se parece em nada.

A parte que quase ninguém conta: mantê-la

Escolher o número é a parte fácil. O problema real aparece depois, e tem três faces.

O salto de temperatura, não a temperatura

Um molde não tem uma única temperatura: tem um mapa de temperaturas. O que determina a qualidade da peça não é tanto o valor de setpoint, mas o ΔT entre entrada e retorno e a homogeneidade entre circuitos. Um molde com setpoint correto e 8 °C de diferença entre zonas produz empenamento do mesmo jeito.

A vazão prevalece sobre a potência

Se o fluxo nos canais não for turbulento, o calor não é extraído, por mais potência de refrigeração que você tenha por trás. É o erro mais caro e o mais frequente: compra-se potência quando o problema era vazão.

Acima de 90 °C a física muda

A água à pressão atmosférica ferve a 100 °C, então, na prática, um circuito aberto fica em torno de 90 °C. A partir daí há dois caminhos: pressurizar a água ou passar para óleo. E essa decisão condiciona toda a instalação.

Que equipamento cada faixa exige

Nossa linha cobre de 25 a 180 °C em água e até 300 °C em óleo. Este é o critério com que selecionamos a família:

Temperatura Família Fluido Polímeros típicos
Até 90 °C Água com tanque
Água Tanque Aberto
Água PS, ABS, PP, PE, PMMA, PA6, PBT
90–180 °C Água pressurizada
direta (WDC) ou indireta (WIC)
Água pressurizada PC, PA66, POM, PPO, PET cristalino, LCP
Até 150 °C Óleo com tanque
Óleo Tanque Aberto
Óleo térmico Instalações que já trabalham com óleo
150–300 °C Óleo em circuito fechado
Óleo Circuito Fechado
Óleo térmico PEEK, PPS de alta exigência
Abaixo da temperatura ambiente Não é um termorregulador — É trabalho de um chiller

A fronteira entre água e óleo não está onde as pessoas pensam: nós selecionamos óleo acima de 160 °C. Abaixo disso, e se você puder escolher, a água pressurizada costuma ser a melhor decisão. Explicamos em água ou óleo: como escolher o termorregulador.

Perguntas frequentes

De que temperatura de molde o ABS precisa?

Entre 40 e 80 °C na maioria dos grades. Abaixo de 40 °C o brilho fica irregular e as linhas de solda ficam marcadas; acima de 80 °C você alonga o ciclo sem ganhar nada. Um termorregulador de água com tanque cobre toda a faixa.

E o polipropileno (PP)?

De 20 a 60 °C. É um semicristalino, então a temperatura do molde decide a contração: se você busca estabilidade dimensional, suba dentro da faixa e mantenha o ΔT baixo entre circuitos.

Meu plástico funde a 240 °C, preciso de um termorregulador de 240 °C?

Não. Esses 240 °C são a temperatura da massa fundida e quem a define é a injetora. O termorregulador controla a superfície do molde, que no ABS trabalha entre 40 e 80 °C. Um equipamento de água com tanque cobre essa faixa com folga. É o erro mais comum que vemos e multiplica o orçamento sem motivo.

A partir de que temperatura preciso de água pressurizada?

A partir de 90 °C. A água à pressão atmosférica ferve a 100 °C e um circuito aberto não chega lá com margem. Pressurizando, trabalha-se com água até 180 °C, conservando a vantagem térmica da água frente ao óleo.

Por que minha peça sai empenada se o setpoint está correto?

Porque o setpoint não é a temperatura do molde. Quase sempre o problema é o ΔT entre entrada e retorno, ou a diferença entre circuitos, não o número do display. Antes de mexer no setpoint, meça a diferença entre zonas e verifique se o fluxo é turbulento.

Por que o PEEK precisa de 170–200 °C?

Porque abaixo disso não cristaliza. Sai uma peça amorfa que perde boa parte das propriedades mecânicas e térmicas pelas quais se paga o material. Nessa faixa só há uma opção realista: óleo.

Um fabricante desde 1978

Esta tabela resume o que vemos diariamente na planta: a maioria dos problemas atribuídos ao material são, na verdade, problemas de controle térmico. Se você tem uma referência que está dando trabalho, conte-nos o material, a espessura e a geometria do circuito e diremos o que faríamos.

Consulte nossa linha de termorreguladores industriais ou fale com um técnico.

Temperatura de molde por polímero: tabela de referência

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